Parceria com Alemanha amplia oportunidades de formação na Química
A relação teve início no ano de 2019 e se consolidou durante a edição da Escola de Verão em Química da UFSCar de 2020, ocasião em que Till Opatz, docente na Johannes Gutenberg-Universität Mainz, participou do evento como pesquisador convidado. A partir dos contatos proporcionados pelo evento, a cooperação entre as duas instituições se tornou possível, envolvendo, atualmente, diferentes grupos de pesquisa.
Márcio Weber Paixão, docente no Departamento de Química, conta que as pesquisas nas quais está envolvido abrangem diferentes áreas da Química Orgânica, “com destaque para a criação de novas metodologias fotoquímicas e organocatalíticas voltadas à síntese e à funcionalização de moléculas bioativas e de compostos de interesse para os setores químico, farmacêutico e agroquímico”. Três doutorandas no grupo de Paixão realizaram parte de seus projetos de pesquisa na universidade alemã, com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (por meio do programa Capes-PrInt) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O docente destaca como a experiência permitiu às pesquisadoras a atuação em um centro de excelência internacional. “Nesse intercâmbio, elas puderam ampliar sua formação científica, fortalecendo redes de colaboração e contribuindo para a consolidação de suas carreiras como pesquisadoras”, afirma o orientador.
Novas experiências
“Além do acesso a uma infraestrutura de pesquisa altamente qualificada, a experiência me permitiu conhecer novas formas de conduzir projetos e trocar conhecimentos com pesquisadores de diferentes nacionalidades. Essa vivência ampliou minha visão sobre como a Ciência é estruturada e desenvolvida em outros contextos, trazendo aprendizados que levarei para toda a minha carreira”, destaca Emanuele Ferrari Pissinati, uma das doutorandas.
Segundo a pesquisadora, a experiência também evidenciou a importância das colaborações internacionais para o fortalecimento da pesquisa científica. “A combinação de competências entre os grupos de pesquisa e o compartilhamento de conhecimentos e infraestrutura tornam o desenvolvimento científico mais ágil e robusto, gerando benefícios para ambas as instituições”, completa.
Marco na formação
A doutoranda Karina de Souza Quaglio também avalia a experiência como um importante marco em sua formação acadêmica. “Essa vivência me ajudou muito a expandir meus horizontes, conhecer diferentes abordagens para problemas científicos e enxergar novas possibilidades para os projetos que desenvolvemos no Brasil”, destaca.
Karina Quaglio deixa uma mensagem para outras pessoas interessadas em uma experiência internacional: “A participação em editais de bolsas pode nem sempre resultar na aprovação, mas é importante persistir. Novos editais são lançados continuamente e novas oportunidades surgem para quem continua tentando.”
Criatividade
A parceria também se estendeu a colaborações em nível de pós-doutorado. Vinculado ao grupo de Arlene Gonçalves Corrêa, também docente no DQ, o pesquisador Lucas Furniel realizou um estágio de pesquisa entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, no grupo do professor Till Opatz, com apoio de uma Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE) da Fapesp. Ele conta que foi possível estudar novos aspectos de uma reação com “grande potencial de aplicação na indústria farmacêutica, permitindo que essa nova área de pesquisa seja mais explorada em projetos futuros aqui no Brasil”. “A criatividade foi muito estimulada, já que o convívio com colegas e pesquisadores que trabalham em áreas diferentes das que estava acostumado no Brasil ajuda muito no surgimento de novas ideias de projetos”, completa.
Futuro da parceria
Márcio Weber Paixão compartilha que a expectativa é que a colaboração continue se fortalecendo nos próximos anos, ampliando tanto o alcance científico quanto as oportunidades de formação internacional. Entre as iniciativas em discussão, estão a incorporação de novos grupos de pesquisa das duas instituições em projetos colaborativos e a criação de um programa de cotutela de doutorado, permitindo que estudantes desenvolvam suas pesquisas sob orientação conjunta e obtenham dupla titulação.
A parceria também pretende expandir as oportunidades de internacionalização para diferentes públicos da UFSCar, incluindo estudantes de graduação, pós-graduação e cientistas em estágio de pós-doutorado. A colaboração já resultou em publicações de artigos científicos em periódicos como o Journal of Organic Chemistry (incluindo, além do grupo de Márcio Paixão, artigo com Kleber de Oliveira, outro docente do DQ), Advanced Synthesis and Catalysis, Chemistry – A European Journal e ChemRxiv.
Para Emanuele Pissinati, a experiência internacional também deixa uma mensagem importante para estudantes que desejam seguir a carreira científica. "Às vezes, esse tipo de oportunidade pode parecer distante, quase impossível, como algo fora da nossa realidade. Mas é importante nunca se subestimar ou achar que não é capaz. Com dedicação e persistência, as oportunidades aparecem — e você estará preparado para aproveitá-las", afirma.
